Table of Contents
- 1 — LPC (Linear Predictive Coding)
- 2 — LPCC (Linear Prediction Cepstral Coefficients)
- 3 — CEPSTRUM
- 4 — LP (Linear Prediction)
- 5 — AC (Autocorrelation)
- 6 — LDA (Levinson–Durbin Algorithm)
- 7 — PE (Prediction Error)
- 8 — LPCC Extraction Pipeline (Pipeline de Extração de LPCC)
- 9 — LPCC × MFCC (Comparação Conceitual e Prática)
- 10 — Aplicações do LPCC (Linear Prediction Cepstral Coefficients)
- Por que LPCC é usado na prática
- 1. Reconhecimento e classificação de fala (clássico)
- 2. Diagnóstico vibroacústico e monitoramento de condição
- 3. Detecção de anomalias (Anomaly Detection)
- 4. Classificação com Machine Learning clássico
- 5. Monitoramento em tempo real (edge / firmware)
- 6. Aplicações em energia e eletromagnetismo
- 7. Por que LPCC é subestimado hoje
- Exemplo conceitual de uso do LPCC em classificação
- Conclusão
1 — LPC (Linear Predictive Coding)
O que significa LPC
LPC é o acrônimo de Linear Predictive Coding (Codificação Preditiva Linear).
Trata-se de um método matemático usado para modelar sinais, especialmente sinais de fala e áudio, assumindo que cada amostra do sinal pode ser aproximada como uma combinação linear de amostras passadas.
Em termos simples:
o LPC tenta responder à pergunta
“Dado o passado recente do sinal, qual é o melhor valor para a próxima amostra?”
Essa ideia é central em processamento de fala, reconhecimento de padrões acústicos e, mais recentemente, em pipelines de extração de características cepstrais, como o LPCC.
Intuição física e de sinal
No contexto de fala (mas não limitado a ele), o LPC modela o sinal como:
- Uma fonte de excitação (ex.: vibração das cordas vocais)
- Um filtro linear (trato vocal, cavidade acústica, ou sistema ressonante)
Matematicamente, o sinal é tratado como a saída de um filtro tudo-polo (all-pole) excitado por um sinal simples.
Isso é importante porque:
- Formantes (ressonâncias) aparecem naturalmente nos polos do modelo
- O modelo é compacto, computacionalmente eficiente e estável
Modelo matemático do LPC
O sinal discreto ( x[n] ) é modelado como:
\[
x[n] = -\sum_{k=1}^{p} a_k , x[n-k] + e[n]
\]
onde:
- \( a_k \) → coeficientes LPC
- \( p \) → ordem do modelo
- \( e[n] \) → erro de predição (resíduo)
O objetivo do LPC é escolher os coeficientes \( a_k \) que minimizam a energia média do erro.
Isso leva diretamente às Equações de Yule-Walker, resolvidas normalmente pelo algoritmo de Levinson-Durbin — que veremos em código C mais à frente.
Por que o LPC é importante para LPCC
Aqui está o ponto-chave que conecta esta seção ao restante do artigo:
- LPCC (Linear Prediction Cepstral Coefficients) não existem sem LPC
- O LPC fornece:
- Os coeficientes do filtro
- A estrutura espectral
- O LPCC transforma esses coeficientes em um domínio cepstral, mais adequado para:
- Reconhecimento de padrões
- Classificação
- Machine Learning clássico
Ou seja:
LPC modela o sistema
LPCC descreve o sistema
Implementação conceitual do LPC em C (visão geral)
Antes do código completo, o pipeline típico em C é:
- Janela do sinal (ex.: Hamming)
- Cálculo da autocorrelação
- Levinson-Durbin → coeficientes LPC
- Conversão LPC → LPCC (próxima seção futura)
Nesta seção, focamos apenas no LPC puro.
Exemplo em C — cálculo da autocorrelação
#include <stddef.h>
/**
* Calcula a autocorrelação de um sinal
* x : sinal de entrada
* N : número de amostras
* p : ordem LPC
* r : vetor de autocorrelação (tamanho p+1)
*/
void autocorrelation(const float *x, size_t N, size_t p, float *r)
{
for (size_t k = 0; k <= p; k++) {
r[k] = 0.0f;
for (size_t n = k; n < N; n++) {
r[k] += x[n] * x[n - k];
}
}
}
Esse vetor r[k] é exatamente o que alimenta o algoritmo de Levinson-Durbin, que gera os coeficientes LPC.
Observações práticas para sistemas embarcados
Do ponto de vista de firmware e IoT:
- LPC é extremamente viável em microcontroladores
- Complexidade: ( O(p^2) )
- Pode ser executado:
- Em tempo real
- Com DMA + buffers circulares
- Integrado a pipelines FreeRTOS ou Zephyr
Isso explica por que LPC/LPCC ainda são relevantes mesmo em tempos de deep learning.