8 — LPCC Extraction Pipeline (Pipeline de Extração de LPCC)
Visão geral do pipeline
Até aqui, analisamos cada conceito isoladamente.
Nesta seção, o objetivo é integrar tudo em um fluxo único, claro e implementável em C, exatamente como se faz em firmware, DSP embarcado ou processamento offline controlado.
O pipeline completo de extração de LPCC é:
Sinal bruto
↓
Janelamento
↓
Autocorrelação (AC)
↓
Levinson–Durbin (LDA)
↓
Coeficientes LPC + Erro de Predição (PE)
↓
Conversão LPC → LPCC
↓
Vetor de características
Esse pipeline é determinístico, sem FFT e numericamente controlável.
Etapa 1 — Janelamento do sinal
A predição linear assume estacionariedade local.
Portanto, o sinal deve ser analisado em janelas curtas.
Prática comum:
- Fala: 20 a 30 ms
- Vibração/acústica: depende da banda de interesse
- Sobreposição opcional (ex.: 50%)
Exemplo de janela de Hamming em C:
#include <math.h>
void hamming_window(float *x, size_t N)
{
for (size_t n = 0; n < N; n++) {
float w = 0.54f - 0.46f * cosf(2.0f * M_PI * n / (N - 1));
x[n] *= w;
}
}
O janelamento:
- Reduz efeitos de borda
- Melhora a estimativa da autocorrelação
- Aumenta estabilidade do LPC
Etapa 2 — Autocorrelação
A partir do sinal janelado, calcula-se o vetor:
\[
r[0], r[1], \dots, r[p]
\]
Já visto anteriormente, mas aqui ele assume papel estrutural, pois alimenta todo o restante.
autocorrelation(frame, N, p, r);
Esse vetor define completamente o modelo LPC.
Etapa 3 — Levinson–Durbin
A autocorrelação é usada para obter:
- Coeficientes LPC \( a_1 \dots a_p \)
- Energia do erro \( \sigma^2 \)
float lpc[p];
float err;
if (levinson_durbin(r, p, lpc, &err) != 0) {
// Falha numérica — descartar janela
}
Aqui já é possível:
- Avaliar estabilidade
- Medir qualidade do ajuste
- Rejeitar janelas ruins
Etapa 4 — Conversão LPC → LPCC
Agora ocorre a mudança de domínio.
float lpcc[n_cep];
lpc_to_lpcc(lpc, p, lpcc, n_cep, err);
Decisões típicas:
- Manter ou descartar
lpcc[0] - Usar apenas os primeiros coeficientes
- Normalizar o vetor
Essas decisões dependem da aplicação final.
Etapa 5 — Vetor de características
O resultado final é um vetor:
\[
\mathbf{c} = [c_1, c_2, \dots, c_M]
\]
Esse vetor pode ser usado diretamente em:
- Classificadores estatísticos
- Detecção de anomalias
- Clustering
- Monitoramento de condição
- Machine Learning clássico
Importante:
LPCC descreve o sistema, não o sinal instantâneo
Exemplo completo — pipeline integrado em C
Abaixo, uma função de alto nível que integra tudo:
int extract_lpcc(float *frame,
size_t N,
size_t p,
float *lpcc,
size_t n_cep)
{
float r[p + 1];
float lpc[p];
float err;
hamming_window(frame, N);
autocorrelation(frame, N, p, r);
if (levinson_durbin(r, p, lpc, &err) != 0)
return -1;
lpc_to_lpcc(lpc, p, lpcc, n_cep, err);
return 0;
}
Essa função:
- Não usa FFT
- Não usa bibliotecas externas
- É adequada para firmware
- Pode rodar em tempo real
Considerações numéricas e de engenharia
Alguns cuidados essenciais:
- Normalizar o sinal de entrada
- Evitar
log(0)emc0 - Escolher corretamente
pen_cep - Validar estabilidade pelo erro
Esses detalhes fazem a diferença entre:
- Um algoritmo acadêmico
- Um sistema industrial confiável