Layout da Antena e Região de Keep-Out
Se há um ponto em que projetos com ESP32 costumam falhar, é na região da antena. A antena — seja ela integrada ao módulo (como nos módulos WROOM/WROVER) ou externa via conector IPEX — opera em 2.4 GHz. Nessa frequência, o comprimento de onda é aproximadamente 12,5 cm. Isso significa que milímetros de cobre mal posicionados já alteram o comportamento eletromagnético do sistema.
Quando se utiliza um módulo com antena integrada, a área abaixo e à frente da antena deve permanecer completamente livre de cobre, trilhas, planos de terra ou componentes metálicos. Essa é a chamada região de keep-out. A presença de cobre nessa região altera a impedância vista pela antena, modifica o diagrama de

radiação e pode reduzir drasticamente o alcance do Wi-Fi ou Bluetooth.
Além disso, a antena deve ser posicionada na borda da PCB. Colocá-la no centro da placa cria um ambiente confinado de acoplamento eletromagnético com o restante do circuito. O ideal é que a antena “projete-se” para fora da área metálica da placa, permitindo radiação mais uniforme.
Outro ponto crítico é evitar:
A presença de planos de terra sob a antena.
Componentes próximos à extremidade da antena.
Cabos ou baterias posicionados sobre a área de radiação.
Quando se utiliza antena externa via conector coaxial, o cuidado se desloca para o roteamento da linha de RF. Nesse caso, a trilha deve ter impedância controlada de 50 ohms, largura calculada conforme espessura do dielétrico e constante dielétrica do material (normalmente FR4). A descontinuidade de impedância gera reflexão, medida pelo parâmetro S11, afetando eficiência de transmissão.
Um erro comum em projetos de baixo custo é ignorar a especificação do stack-up da PCB. Sem controle da espessura entre a camada de sinal e o plano de terra, não há garantia de impedância correta. Para produção em volume, isso compromete repetibilidade.

Do ponto de vista de fabricação, essa seção implica:
Definição explícita do stack-up junto ao fabricante.
Controle de tolerância de largura de trilhas RF.
Ausência de máscara de solda indevida na região crítica.
Projetos profissionais não deixam essa área para “ajustes posteriores”. A antena é definida desde a primeira versão da placa.